Por dentro de uma microcervejaria
O termo microcervejaria ou cervejaria
para
gastronomia define uma instalação que
permite a produção de cerveja em pequenas
quantidades para consumo no local ou eventual envasamento
do excedente para consumo em outros locais. Saiba mais
sobre esse universo.
Começando pelo envasamento, que nesse caso
é efetuado em barris de aço inox (Keg),
latas ou garrafas de vidro. As capacidades de produção
variam geralmente entre 1.000 a 2.000 litros por cozimento
e o número de cozimentos por semana oscila entre
um e dois por dia. O Brasil possui atualmente mais de
70 microcervejarias, a maioria nas regiões Sul
e Sudeste.
O PROCESSO DE PRODUÇÃO
DE CERVEJA
A microcervejaria pode produzir qualquer tipo de cerveja
de baixa e alta fermentação (Pilsen, Stout,
Ale, Bock, Weiss etc.). O processo se inicia com a moagem
do malte (cevada malteada). O malte moído é
solubilizado com água cervejeira na Tina de Mostura,
onde ocorre uma série de ações
enzimáticas - principalmente a açucaração
do amido do malte. Esta mostura é então
filtrada na Tina de Clarificação, onde
se separa a fase sólida (bagaço) da fase
líquida (mosto).
O mosto daí resultante é fervido com
adição de lúpulo no Cozinhador
de Mosto, onde são definidas certas características
de qualidade. O mosto quente é então bombeado
para o Whirlpool, onde determinadas partículas
indesejáveis (trub = proteínas e outras
substâncias do malte e lúpulo) são
eliminadas.
O mosto límpido é bombeado através
de um resfriador de placas (Resfriador de Mosto), é
aerado e recebe uma dosagem de levedura cervejeira e
vai para o Tanque de Fermentação e Maturação.
No Tanque de Fermentação e Maturação
o mosto é fermentado e maturado e adquire características
de cerveja. Esta cerveja é então filtrada
(Filtro de Cerveja) e armazenada no Tanque de Cerveja
Filtrada, de onde pode ser consumida diretamente, quando
servida através de chopeira ou indiretamente,
quando envasada em barris, latas ou garrafas.
EQUIPAMENTOS
Podemos dizer que uma microcervejaria não difere
muito de uma cervejaria grande, com relação
ao processo e equipamentos. Asequipamentos compactos
montados em estruturas metálicas.
Os equipamentos da sala de cozimento são construídos
em aço inox AISI 304 e devido
ao atrativo visual, muitos cervejeiros optam por equipamentos
revestidos em cobre
polido.
Os sistemas de aquecimento e fervura podem ser através
de aquecimento direto por chama (queima de gás
e óleo) ou elétrico. Os sistemas indiretos
atuam através de vapor ou água quente,
como nas cervejarias convencionais. Possuem a vantagem
de oferecer um controle maior de temperatura e não
afetam a mostura, o mosto e as superfícies de
contato, sendo, no entanto mais caros do que os demais.
Deve-se prever um local para a instalação
do gerador de vapor.
O cozimento do mosto é feito em 60 - 90 minutos.
O mosto é resfriado através de trocador
de calor de placas de dois estágios, onde no
primeiro estágio o mosto é pré-resfriado
com água da rede no contrafluxo e no segundo
estágio, com água gelada a cerca de 0°C.
O oxigênio necessário para o início
da fermentação é fornecido por
um cilindro de oxigênio ou por um compressor de
ar isento de óleo.
ADEGAS DE FERMENTAÇÃO,
MATURAÇÃO E CERVEJA FILTRADA
Os processos de fermentação e maturação
da cerveja na microcervejaria são idênticos
aos de uma cervejaria maior. A estocagem da levedura
é feita em tinas de aço inox, que possuem
refrigeração.
O número e volume dos tanques de fermentação
e maturação devem ser calculados em função
do número de cozimentos por semana.
As microcervejarias podem optar por tanques cilindro
cônicos verticais de fermentação
e maturação, ou também por tanques
abertos para a fermentação e tanques horizontais
fechados para a maturação.
A refrigeração dos tanques é
feita individualmente para cada tanque, permitindo grande
flexibilidade de operação, utilizando
água gelada (0°C) ou outro tipo de solução
- como água e álcool.
A vantagem da utilização de tanques
cilindro cônicos verticais é a possibilidade
de automatização, assim como a maior facilidade
de operação e limpeza, permitindo inclusive
a redução do tempo de processo.
A limpeza e desinfecção dos tanques
e tubulações é normalmente feita
por meio de uma instalação CIP semi-automática,
que normalmente opera com a perda da solução
sanitizante.
Uma unidade de controle permite monitorar e controlar
à distância as temperaturas dos tanques
de fermentação e maturação
e também dos tanques de cerveja filtrada.
FILTRAÇÃO
DA CERVEJA
Para a filtração da cerveja, utiliza-se
filtro de terra diatomácea com placas horizontais
ou filtro de placas verticais com pré-camada.
O sistema de filtração é composto
basicamente de um filtro equipado com tanque de preparação
e dosagem de terra diatomácea (com agitador e
bomba dosadora) e bomba centrífuga. Geralmente
são montados em estruturas móveis, que
permitem maior flexibilidade de operação.
ENVASAMENTO DA CERVEJA
Muitas microcervejarias optam por embarrilar ou envasar
em suas cervejas emgarrafas do tipo sifão para
poderem atender a outras cervejarias ou no atendimento
direto ao consumidor.
As máquinas para embarrilar podem variar desde
simples enchedoras até máquinas totalmente
automáticas para lavagem e enchimento de barris
Keg (volumes de 10 a 50 litros).
EQUIPAMENTO PARA SERVIR
A CERVEJA
Os tanques de cerveja filtrada ou não-filtrada
são normalmente verticais e possuem visor de
nível para controle do consumo de cerveja.
O transporte da cerveja do tanque até a torneira
da chopeira ocorre por meio de uma tubulação
de cerveja isolada ou refrigerada, pressurizada com
gás carbônico (CO2) ou bomba.
As microcervejarias para gastronomia são mais
flexíveis e abertas para assimilar o que o consumidor
deseja e transformar este desejo em produtos e serviços
diferenciados. Suas cervejas diferem significativamente
em termos de caráter e individualidade das cervejas
produzidas pelas cervejarias convencionais. A gastronomia
pode ser simples, mas deve gozar de credibilidade, criando
deste modo uma “simbiose” com a cervejaria,
garantindo harmonia entre a degustação
da cerveja e comida.
Matthias R. Reinold
Mestre cervejeiro formado pela Universidade Técnica
de Berlim,
com especialização em Gestão pela
Qualidade Total, no Japão.
Trabalhou por mais de 15 anos na Cia. Cervejaria Brahma,
autor de mais de 130 artigos sobre Tecnologia Cervejeira
e Gestão pela Qualidade Total e também
do livro
“Manual Prático de Cervejaria”.
Desde 1995 é consultor de empresas pela empresa
M. REINOLD
– Tecnologia em Qualidade e Produtividade Ltda.
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