Schincariol compra Baden
Baden
Empresa paulista revoluciona e promete
entrar com tudo no mercado Premium
por Mariana Marçal colaborou
Xavier Depuydt fotos Ricardo D’Angelo
o dia 18 de janeiro de 2007, o mercado cervejeiro foi
surpreendido com a notícia da compra da Baden
Baden – a menina dos olhos de Campos do Jordão
– pela Schincariol. Surpresa por parte dos consumidores,
indignação por parte da concorrência
que pareceu bastante incomodada com a novidade. O impacto
da informação foi intenso, afinal, os
boatos sobre uma suposta venda da Schincariol estariam
em evidência desde 2006. Segundo a assessoria
de imprensa do grupo, isso não passa de intriga
do mercado; muito pelo contrário, acreditam que
a Schin está forte o suficiente pra ter um considerável
crescimento no setor. O compromisso não é
influenciar nas características, na qualidade
e no posicionamento de mercado da Baden Baden e sim
concorrer no mercado de cervejas especiais para um público
altamente selecionado.
A BEER foi conferir de perto as intenções
da Schincariol. Nossa equipe resolveu começar
por Campos do Jordão. Na cervejaria, fomos recebidos
por Wania Bachmann, responsável pela área
comercial, que, com sua simpatia, nos deixou muito à
vontade e forneceu as informações básicas
sobre a Baden Baden.
MUITO PRAZER, BADEN
BADEN
Quem ainda não visitou a famosa cervejaria de
Campos do Jordão, está perdendo conhecer
um local aconchegante, com ótimo atendimento
e onde a degustação é imprescindível,
além de ser acompanhada pelas informações
do mestre-cervejeiro Carlos Hauser Filho, que pode esclarecer
todas as dúvidas quanto à produção,
quantidades, tipos de cerveja, de ingredientes. Hauser
também conta atenciosamente a história
da cervejaria. Vale informar que a função
de mestre foi tradicionalmente passada de pai para filho;
seu pai, Carlos Hauser, já aposentado, foi um
dos fundadores da cervejaria e soma 45 anos de muita
experiência. Hauser veio de uma família
de apaixonados por cerveja; herdou do avô um profundo
conhecimento sobre grãos e ingredientes e, do
pai, adquiriu a sabedoria na arte de fazer cerveja.
Hauser Filho atua no mercado de bebidas desde 1985 e
já passou por grandes indústrias. É
formado em química industrial pela Universidade
de Ribeirão Preto, além de terparticipado
de treinamento técnico na
Alemanha.
No espaço em que atualmente encontrase a fábrica,
funcionava uma madeireira e, durante uma brincadeira,
quatro amigos, amantes de cerveja, começaram
a produzilas. Quando perceberam, a cerveja já
estava fazendo sucesso entre os demais colegas e compreenderam
que o comércio estava crescendo. Eis que, em
1999, surge a primeira cervejaria artesanal de Campos
do Jordão; seu nome foi escolhido em homenagem
ao restaurante Baden Baden que pertence a um dos antigos
sócios da cervejaria. Iniciou sua produção
com apenas 10 000 litros mensais que seriam distribuídos
somente para o restaurante; quando alcançaram
50 000 litros, a comercialização atingiu
todo o Brasil. Segundo o mestre Carlos Hauser Filho,
atualmente, nos 10 000 metros quadrados da fábrica
ocorre a produção de 120 000 litros de
cerveja; sendo que apenas 15% vão para o restaurante.
Durante o passeio pelos tanques de fermentação
e maturação, o mestre-cervejeiro pôde
nos contar um pouco sobre as mudanças já
feitas após a compra da Schin.
A engarrafadora passou por uma reforma e a rotuladora
manual foi substituída por uma profissional;
ambas possuem capacidade para trabalhar cerca de 900
garrafas por hora. Quanto à distribuição,
já foi confirmada pela equipe da Schin, que será
ampliada e possuirão veículos próprios.
A organização entre os produtos, para
que não ocorra equívoco por parte dos
consumidores, será priorizada.
Há cerca de quatro anos, a Baden Baden fazia
apenas chope. Por se tratar de um mercado difícil,
seus controladores resolveram apostar na cerveja. O
chope continua sendo feito, mas sua venda é apenas
regional, pois exige um monitoramento mais exaustivo
para ter uma perfeita receptividade. Aliás, o
fato de ser diferenciados em tudo é o que chama
a atenção do consumidor. O grande objetivo,
além da qualidade, é proporcionar autenticidade
para o mercado. Em oposição a essa originalidade,
muitas cervejarias encontram-se fazendo parte da doutrina
de mercado que é “a pilsen é boa
mas não satisfaz”. É exatamente
nesse ponto que está a grande diferença
nas microcervejarias que pretendem oferecer cultura,
novos estilos, diálogo e boa gastronomia.
A Baden Baden, além da tradição,
desenvolve técnicas próprias de pesquisa,
cervejas cada vez mais gostosas e procura sempre produzir
bebidas diferentes e de altíssima qualidade.
Ao todo, utiliza sete tipos de lúpulo e chega
a usar até quatro na produção de
um único tipo de cerveja. Todos são de
origem inglesa, checa ou americana.
Durante o passeio, pode-se contemplar um pouco da produção
e da matéria-prima; são 20 tanques de
fermentação, dez de 8 000 litros e dez
de 4 000 litros; segundo o cervejeiro, utilizam fermentos
que jamais foram usados no Brasil. Os ingredientes utilizados
na produção das Baden Baden são:
malte, extrato de malte, lúpulo, fermento, água
e aditivos. A cervejaria, como antigamente era feito,
não produz mais suas cervejas de acordo com a
Reinheitsgebot, Lei de Pureza Alemã, de 1516,
que proíbe o uso de aditivos químicos,
corantes, conservantes ou cereais. A utilização
de outros ingredientes começou com o intuito
de adaptar o sabor da cerveja ao paladar exigente do
brasileiro.
Antes de se despedir, ainda é possível
passar pela lojinha e gastar uns bons trocados em blusas,
canecas, copos, chaveiros, agasalhos, tudo com o logo
da Baden
Baden. Ou, ainda, levar para casa uma das
cervejas da linha.
A cervejaria oferece seis tipos regularmente –
Bock, Pilsen, Cristal, Stout, Red Ale e Golden –
e dois sazonais (Celebration Verão e Inverno).
NA TRILHA DA SCHINCARIOL
O Grupo Schincariol está feliz da vida com o
novo investimento. E só confirma: faz questão
de manter a característica de cada tipo da Baden
Baden e de sempre lançar uma novidade no mercado.
O espaço da cervejaria, em Campos do Jordão,
será adaptado para produzir até oito vezes
mais. “Nosso principal objetivo é agregar
valores”, define Alcides Vargas Porteiro, diretor
técnico da Schincariol. Em Itu, interior de São
Paulo, a empresa está instalada em 750 000 metros
quadrados de terreno, sendo 160 000 metros quadrados
de área construída com uma organização
fora de série; o passeio pelo interior da fábrica
é bem agradável. Se for acompanhado do
gerente de pesquisas Peter Ehrhardt, fica ainda mais
prazeroso. Esse alemão, de caráter bem
brasileiro, casado com uma carioca, já está
há dez anos na Schincariol. “Desde 1997,
eu queria a compra de uma microcervejaria”, lembra
Peter. Formado no Instituto Estadual da Universidade
de Munique, na Lothstrasse, lecionou na Alemanha durante
23 anos em importantes instituições, dentre
elas, Simon-Knollplatz 3 Munique e em Gräfelfing,
hoje, denominada “Academia Doemens”. No
Brasil, além de mentor, foi durante quatro anos
chef do único curso técnico para cervejeiros
no Brasil, no Senai de Vassouras, no Estado do Rio de
Janeiro. Aliás, a Schin investe pesado em seus
funcionários e faz questão de que todos
os mestres-cervejeiros tenham boa formação,
o que desperta ainda mais o orgulho de trabalhar no
grupo. “Mais da metade dos cervejeiros formada
antes de 1992 no Brasil, foi aluna do Peter”,
comenta com altivez Alfredo Luís B. Ferreira,
gerente de pesquisa e desenvolvimento de produtos e
mestre-cervejeiro. Ao todo, o grupo conta com aproximadamente
27 cervejeiros.
Durante nossa visita, Peter e Alfredo acompanharam
a equipe da BEER para um longo passeio na fábrica
e aproveitaram para contar um pouco sobre a trajetória
da Schin.
Fundada em 1939, a fábrica continua em ritmo
de crescimento. São nove fábricas espalhadas
pelo Brasil, que empregam 7 500 colaboradores; a mais
nova delas está sendo construída no Ceará,
um investimento de 135 milhões de reais. A líder
de produção é a unidade de Itu
com cerca de 11 000 hectolitros por ano e 2 000 funcionários.
Atualmente, quem está presidindo a Schincariol
é Fernando Terni, ex-presidente da Nokia. O grupo
era 100% familiar, contudo, após a morte de Nelson
Schincariol, todos da família passaram por um
processo profissionalizante e, atualmente, fazem parte
do conselho administrativo.
Uma curiosidade: apesar do sobrenome Schincariol de
seus proprietários, a Belco, como muitos confundem,
não tem relação com a Cervejaria
Schincariol.
A assessoria de imprensa de ambas as empresas nega
qualquer ligação de uma com a outra. Os
sócios da Belco, Júlio César Schincariol
e Natal Schincariol Júnior são apenas
primos distantes de José Nelson Schincariol,
falecido em 2003.
SCHIN, EM NÚMEROS
Durante a reportagem, a BEER pôde conhecer as
instalações mais importantes de que a
fábrica dispõe atualmente. São
quatro cozinhas para a fabricação do mosto,
das quais a maior tem um aporte de 1 300 hectolitros.
Possui ainda 27 silos de 1 200 toneladas de malte, 32
unitanques (tanques de fermentação e maturação)
com capacidade de 13 000 hectolitros (1 milhão
e 300 000 litros) – os maiores tanques de fermentação
e maturação do mundo – segundo Peter.
A fábrica tem capacidade
para filtrar 1 500 hectolitros por hora de cerveja.
Para um melhor resultado, contam com duas linhas de
envase, com capacidade de 60 000 garrafas por hora cada
uma e mais uma linha de latas também com a capacidade
de 60 000 latas por hora. Alfredo Ferreira nos informou
ainda, que a maior parte do malte utilizado pelo grupo
é importada de alguns países da Europa
e do Canadá e uma pequena parte é fornecida
pelas duas principais maltarias nacionais.
O ESTILO SCHIN
No dia em que a BEER esteve visitando a fabrica, a temperatura
estava altíssima e a chuva de verão que
caíra deixava o ar ainda mais abafado. Gentilmente,
fomos convidados para tirar e provar um chope da maior
chopeira do mundo, com capacidade para 120 000 litros.
Depois da degustação, pudemos garantir
que a Nova Schin é uma boa cerveja, saborosa
e com leve amargor, como uma Pilsen deve ser.
Passeios como esses só comprovam que nossas
cervejarias são suficientemente capacitadas para
produzir boas cervejas. Por esse motivo, a BEER vai
organizar – com o propósito de ampliar
ainda mais seus conhecimentos e com a presença
de Xavier Depuydt – uma visita às cervejarias
brasileiras, quando conheceremos a produção
de cada uma delas.
CONHEÇA A BADEN
BADEN
No último 19 de maio a Beer organizou uma excursão
divertidíssima, com a presença do cervejólogo
Xavier Depuydt, para a cervejaria Baden Baden, em Campos
do Jordão, região Serrana de São
Paulo. O grupo formado por 21 pessoas, chegou na cidade
por volta do meio-dia e puderam perceber os primeiros
sinais do inverno, clima que deixa a cidade ainda mais
charmosa. Durante o passeio, os convidados puderam aprender
um pouco mais sobre a produção da cerveja,
através de uma palestra ministrada por uma das
funcionárias, e experimentá- la direto
do tanque, na qual constataram a qualidade do produto
Baden Baden. Não perderam a chance de degustar
alguns dos muitos tipos que a cervejaria produz; diferenciadas
e com sabores inconfundíveis.
A diversão continuou pela loja localizada dentro
da cervejaria, onde todos se encantaram com a originalidade
dos produtos. Passeio imperdível para quem visita
à cidade. De lá, seguiram para o Restaurante
Harry Pisek, uma salsicharia ótima e tradicional
da região; no caminho, o cervejólogo Xavier
Depuydt esclareceu algumas dúvidas quanto a fermentação,
ingredientes e harmonização da bebida.
Na salsicharia, a harmonia entre gastronomia e cerveja
prevaleceu. Os pratos foram servidos com as cervejas
Baden Baden, confirmando a tradição gourmet
do produto. A sugestão para o almoço foi
o prato chef da casa: uma combinação de
salsichas, fabricadas pelo próprio restaurante,
com chucrute, salada de batatas, eisban, bolo de carne
e, para finalizar, uma deliciosa torta de maçã.
Tudo foi harmonizado com as cervejas Weiss, Red Ale,
Bock e Crystal. |